| Gustavo Corção (1896 - 1978) |
“Agora,
ali, além disso, eu descobria que aquela idéia que eu tinha formado de Gustavo
Corção, através de pessoas hostis a ele, era inteiramente falsa. Ele era um homem
boníssimo, talvez impulsivo e arrebatado nos seus impulsos, mas de uma bondade que transparece à primeira
aproximação, nos seus olhos pequenos, azuis, vivos, risonhos, inteligentes e que — por mais estranho que isso possa parecer a quem não o conhece ou não gosta dele, de longe — são olhos de
menino.
Ele não tem nada de intratável: apenas é um homem de princípios, corajoso e inflexível quando sustenta os princípios que julga
certos. Mas com as pessoas, não. Se ele descobre que temos outras idéias
mas, ao mesmo tempo, descobre que sustentamos essas idéias não por má-fé ou
covardia, e sim por convicções — que podem estar erradas, mas são leais e firmes como as dele —
discorda, mas respeita-nos e não nos nega a sua amizade.”
(ARIANO SUASSUNA, escritor, teatrólogo, do Conselho Federal de
Cultura.)
"Expliquei-lhe que tudo em Corção é amor; poucas pessoas conheço com tanta
vocação, tanto destino, para o amor. O que parece ódio, nos seus
escritos, é ainda amor. Amor que assume a forma das grandes e generosas
procelas.
Bate forte, muitas vezes. Mas sempre por amor. Está fatalmente ao lado da pessoa e contra a
antipessoa. É a luta que o apaixona. Todos os dias, lá vai ele atirar o seu dardo contra as hordas da
antipessoa. Eis o que eu repeti para o meu amigo das esquerdas: - o Corção tem um coração atormentado e puro de
menino.
Quem o sabe ler, percebe em todos os seus escritos o pai de Rogério, sempre o pai de
Rogério, querendo salvar milhões de filhos, eternamente."
(NÉLSON RODRIGUES, 0 Óbvio Ululante, 1968, pp. 164-166)
“O equilíbrio no julgamento dos problemas humanos, aquilo que os ingleses chamam de
sound judgement, é um dos dotes da personalidade de Corção. Decorre do caráter quase universal de sua
cultura. Cultura literária, cultura humanística, cultura matemática e
física, conhecimento da técnica, capacidade de meditar, tudo isso, ajudado por esse dom precioso que se chama de
'bom senso' ou equilíbrio mental, faz com que, ao se defrontar com qualquer
problema, seja ele humano, técnico, ou político, ele possa
apreciá-lo por vários ângulos, sem nunca 'desgarrar' por incapacidade de compreender ou de sentir qualquer de seus
aspectos. Esse é um dom muito raro.”
(EUGÊNIO GUDIN, economista, escritor e jornalista.)
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