Pensadores Brasileiros       

Artigos de José Osvaldo de Meira Penna

Período de 21/1/1998 a 15/10/2001
Total: 83 artigos
 

Livros de J. O. de Meira Penna na Livraria Cultura

- Ai Que Dor de Cabeça!
- O Dinossauro
- Em Berço Esplêndido
- O Espírito das Revoluções
- A Ideologia do Século XX
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Livros de J. O. de Meira Penna no Submarino

- Ai Que Dor de Cabeça!
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Segunda-feira, 5 de fevereiro de 2001 

A facção lunática 

Na América as seitas excêntricas ou grupos baderneiros de roqueiros rebeldes são qualificados de lunatic fringe. O termo "franja" também designa, em Portugal, uma conversa fiada fraudulenta. Gangues dessa espécie alienada e misteriosamente financiadas por entidades católicas e a Ford Foundation (!) se reúnem, regularmente, em sítios aprazíveis como Seattle, Davos, Praga ou Porto Alegre para protestar contra o "neoliberalismo", a globalização ou o FMI (contra o qual também liberais reclamam...) em nome da ecologia, feminismo, homossexualismo ou um petismo tupiniquim de índole aberrante. Que sempre houve e haverá grupelhos de drogados por idéias ou substâncias químicas, não há nisso nada de espantoso. A Humanidade já conheceu milhares de psicopatologias em sua História. Já conhece, porém, o termo Liberdade há 4.300 anos, como em Lagash na Babilônia onde existia o cuneiforme amagui. Estamos fadados a conviver com tais seitas assim como com perigosos terroristas de estilo ETA, IRA ou Farc. Mas não creio que jamais serão tão funestos quanto os carbonari e aficionados da Revolução que, século passado, se transformaram em SS, Fasci di Combatimento ou Bolcheviques de outubro 1917. 

O que distingue o Brasil é que essa franja se acredita poderosa a ponto de pretender vir a governar o País. O bigodudo indócil que governa o Rio Grande do Sul convocou, pago por dinheiro público, um fórum em Porto Alegre com esse propósito pouco original. Na reunião em Santiago da Mont Pèlerin, novembro último, fiquei surpreso de ouvir alarmistas sérios da Venezuela, Peru e até Argentina mencionarem outro fórum, de São Paulo, encabeçado nada mais, nada menos do que por Lula, Chávez e o decrépito Fidel. E sabem para quê? Para deter a globalização, eliminar o liberalismo e, presumo, derrubar o poder americano! Estariam doidos? Lembram-me os adolescentes palestinos, fanatizados pela Jihad, que atiram de estilingue contra soldados protegidos por couraças, armados de metralhadora e um tanque na retaguarda. 

O irrealismo irresponsável é o mesmo. Acontece que não podemos desprezar uma máfia quando se organiza como um batalhão de energúmenos que não sabem o que se passa no mundo e podem causar danos quando se alinham a movimentos tradicionais, de natureza nacionalista ou religiosa. O sargento Chávez, por exemplo, pretende recompor o "império bolivariano" custeado pelos guerrilheiros narcotraficantes colombianos. Mas a ameaça maior seria, a meu juízo, a aliança dos extremos na base da mesma ojeriza irracional aos Estados Unidos, símbolo do mal moderno, liberal e global. 

O ímpeto autístico e xenófobo que deseja erguer a Amazônia como "dez Vietnãs" contra o desembarque de marines de seus satélites espaciais, sob o comando de Darth Vader, me parece excitação paranóica de telespectadores viciados na mitomania amazônica... O problema não é, contudo, tão simples. 

Em seu triunfo de 1989, a "revolução de veludo" liberal não matou ninguém e permite, por definição, o desabrochar de "mil flores", inclusive das maoístas mais peçonhentas e, se aceitamos a premissa, devemos nos resignar com a convivência de alienados fantasmagóricos e sonâmbulos. Se começarem, porém, a explodir bombas em automóveis ou assassinar no estilo dos hashishim xiitas, chegará então o momento de gritarmos, numa perspectiva séria: "Alto lá! Terrorismo nunca mais!" Nossa índole é infensa à Gleichshaltung hitlerista, que uniformiza o pensamento primário. 

Gente que tenta, por exemplo, como o falecido Callado, calar o Olavo de Carvalho numa folha carioca ultrapassa os limites da decência. "Censura nunca mais!", eis outro bom slogan: fora o patrulhamento ideológico na imprensa! "Tortura nunca mais!" também vale para os dois lados. Que os Torquemadas clericais, os SS de Auschwitz, os Guardas Vermelhos do Grande Timoneiro ou os Che Guevara de imensa ternura ante os fuzilados do paredón se abstenham de sua psicopatia. Deixem apenas as Viúvas da Praça Vermelha adorarem, como beatas histéricas, os cadáveres putrefatos de seus heróis: 

que chorem e berrem quanto quiserem! Mas que não obstruam o caminho quando desejamos falar, escrever e exorcizar os duendes, mofentos e íncubos infectados de HIV que transitam pela parte traseira de suas cucas de primatas. 

J.O. de Meira Penna é embaixador, escritor e presidente do Instituto Liberal de Brasília e-mail: meirapen@zaz.com.br

Compilado em 28/10/2001
Fonte: Vários sites na Internet

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