Pensadores Brasileiros       

Artigos de José Osvaldo de Meira Penna

Período de 21/1/1998 a 15/10/2001
Total: 83 artigos
 

Livros de J. O. de Meira Penna na Livraria Cultura

- Ai Que Dor de Cabeça!
- O Dinossauro
- Em Berço Esplêndido
- O Espírito das Revoluções
- A Ideologia do Século XX
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Livros de J. O. de Meira Penna no Submarino

- Ai Que Dor de Cabeça!
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Segunda-feira, 7 de agosto de 2000 

A grande empulhação 

Já é opinião unânime entre meus amigos liberais, sendo também evidente nos editoriais desta folha, que o enorme escândalo em torno das falcatruas do Lalau e do ex-senador do DF tem como principal propósito comprometer o governo federal e elevar o PT e seus aliados da esquerda à categoria de censores morais da República. Invariavelmente as denúncias, protestos e reclamos de CPIs são oriundos de um esquema de deputados da oposição que, monopolizando a atenção da opinião pública por meio dos jornais e tevê, procuram deter e, eventualmente, liquidar com os esforços oficiais no sentido de promover as necessárias reformas - política, fiscal, penal, previdenciária, etc. - com as quais se estimularia o crescimento econômico e melhoraria os índices sociais do País. O embuste é paralelo, aliás, ao outro ardil igualmente artificial, o do Movimento pela Reforma Agrária violenta. Estou satisfeito de verificar que todos os liberais se deram conta, imediata e espontaneamente, da manobra e, nesse sentido, chamo particularmente a atenção para os artigos de Alberto Oliva e Olavo de Carvalho. 

Este aponta para a seleção nitidamente facciosa dos aspectos escandalosos que os farisaicos Catãos petistas procuram salientar, enquanto mantêm sob resguardo detrás de nova Cortina de Ferro os casos escusos que não lhe interessam lembrar. No debate, foi por exemplo lembrado o empréstimo à Polônia comunista (1980/82) que, como resultado dos "perdões de dívida" e juros acumulados, equivale hoje a um prejuízo acima de US$ 4 bilhões. Aliás, os danos causados pela antiga "política externa independente" (herança, vejam bem, do penúltimo governo militar) sobem, tanto quanto estou informado, a mais de US$ 10 bilhões ou US$ 11 bilhões. Agora mesmo, FHC, que na Presidência se tem caracterizado por sua atitude bom-moça, perdoou US$ 450 milhões da dívida de Moçambique. Curiosamente, os favorecidos com nossa imensa e cretina generosidade eram economias marxistas, fechadas, num paradoxo típico dos péssimos governos que flagelam esta nossa República como resultado de sua índole patrimonialista, legitimada por ideologias coletivistas e estatizantes. 

Dois de seus corifeus nos governos Geisel e Figueiredo ocupam hoje os mais altos postos na hierarquia da Nomenklatura tupiniquim. E quanto nos custou, em monstruosos desperdícios, o desenvolvimentismo maníaco da época - o projeto nuclear, a Ferrovia do Aço, as rodovias amazônicas, a Reserva de Mercado da Informática? Na época, calculei as perdas como equivalente a toda a dívida externa brasileira. Veio a "Nova República" e piorou a desfaçatez, a corrupção se adicionando ao desperdício irresponsável. Só as fraudes da Previdência e do Orçamento e o desastre inflacionário superam o mais grosseiro cálculo do impudor governamental anterior. E é essencial levar em conta que, no abuso atual, se deve responsabilizar não tanto o Executivo quanto os dois outros "poderes" do Estado. A lepra corrói o Congresso e o Judiciário, inclusive em suas mais altas instâncias. 

Falam em impunidade. Me cabe aqui felicitar o JT por seu editorial do dia 18 de julho, "Não basta prender". Moro em Brasília e assisto ao crescimento dos edifícios faraônicos com que todos, repito todos, os tribunais aqui sediados se locupletam, favorecendo o empreguismo e as falcatruas. "A corrupção sistêmica na Justiça só pode ser eliminada com reformas radicais", afirma corretamente o editorialista. A impunidade é da essência do regime. Ninguém deseja romper os imperativos da omertà que cobre toda a estrutura estatal - salvo quando, como no caso do edifício do TRT de São Paulo, o propósito oportunista é combater uma famiglia mafiosa a fim de substituí-la por outra, ainda pior. 

A tragédia é que, para termos um regime liberal que nos livre da lepra, necessitamos um Estado de Direito. Mas como alcançá-lo se os próprios membro do Judiciário estão contaminados? Não basta, portanto, eliminar a aberrante Justiça do Trabalho e o Tribunal de Contas, que só existem para empregar parasitos. O problema não é só político, é de fundo cultural. E, para curar a moléstia, muitos anos de bom senso e esforços da nacionalidade com a educação moral são exigências fundamentais. 

J.O. de Meira Penna é embaixador, escritor e presidente do Instituto Liberal de Brasília e-mail: meirapen@zaz.com.br

Compilado em 28/10/2001
Fonte: Vários sites na Internet

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