Pensadores Brasileiros       

Artigos de José Osvaldo de Meira Penna

Período de 21/1/1998 a 15/10/2001
Total: 83 artigos
 

Livros de J. O. de Meira Penna na Livraria Cultura

- Ai Que Dor de Cabeça!
- O Dinossauro
- Em Berço Esplêndido
- O Espírito das Revoluções
- A Ideologia do Século XX
- Utopia Brasileira

Procure o livro dos seus pensadores favoritos na Livraria Cultura!


Livros de J. O. de Meira Penna no Submarino

- Ai Que Dor de Cabeça!
- Decência Já!
- O Elogio do Burro
- Em Berço Esplêndido
- O Espírito das Revoluções
- A Ideologia do Século XX
- Utopia Brasileira

Procure o livro dos seus pensadores favoritos no Submarino!

SOBRE O DESEMPREGO

Revista Leader, Porto Alegre

J.O. de Meira Penna

O pavor do desemprego tem perseguido os teóricos da economia desde o princípio da Revolução Industrial. A introdução dos teares mecânicos ao final do século XVIII provocou a violência dos “ludditas” que reclamavam a perda de seus empregos por força do progresso tecnológico. A produtividade extraordinária da economia industrial desde aquela época não conseguiu, até hoje, desmanchar esse sentimento de perplexidade com o fenômeno, de tal modo que as críticas atuais à globalização atribuem ao “néo-liberalismo” a responsabilidade pelos altos índices de desemprego em certas nações, inclusive a nossa, cultivando o mesmo temor supersticioso como se a automação, a informática e as fusões de grandes corporações devessem, irremediavelmente, acentuar o mal. No fundo, permanece a opinião mal informada, sustentada nos dogmas de Marx que antecipam a inevitabilidade da revolução socialista após o desemprego e empobrecimento maciços que o “capitalismo tardio” acarretaria. Devemos lembrar que o desabrochar do liberalismo clássico ou primeiro liberalismo foi interrompido pela “Grande Depressão” cujo sintoma mais evidente era o desemprego. Este flagelou 25% da força de trabalho americana e européia, agravando a inquietação social que alimentou o movimento nazista. O sucesso de lord Keynes, tido como ‘salvador do capitalismo” - Keynes era, na realidade, um oportunista liberal incoerente - se deve, precisamente, ao fato de haver sugerido medidas monetárias mais condizentes com os desequilíbrios da situação, após absurdas intervenções dos governos que agravavam, ao invés de minorar o fenômeno. Embora os economistas liberais hoje compreendam exatamente o ocorrido, nem todos os críticos aceitam suas explicações. Uma forma empírica irrefragável de julgar o problema do desemprego se encontra hoje no exame da conjuntura mundial. Os Estados Unidos são o paradigma do capitalismo - embora continuem registando fortes intervenções estatais na economia - e oferecem um quadro histórico de inédita expansão, crescimento da produtividade e absorção de um milhão de imigrantes ao ano, enquanto mantêm o desemprego abaixo da taxa mínima normal de 5%. Na Europa, em contraste, os países onde mais rígida é a estrutura intervencionista, a França e a Alemanha, são também aqueles que mais fortemente estão sofrendo das agruras do desemprego. Vejam os dois paradoxos: é o Estado do “Bem-Estar” justamente aquele que provoca esse mal-estar; enquanto o número de desempregados é sensivelmente igual ao de imigrantes “indesejáveis” (árabes, africanos, turcos e europeus orientais) que, ao ocupar os empregos deixados livres em conseqüência dos generosos “auxílios” recebidos pelos “desempregados”, estimulam a reação da suposta “extrema-direita” dos skinheads e partidários de Le Pen. O maior paradoxo pode ser encontrado no contraste entre a Rússia, que oficialmente repudiou o comunismo mas continua mantendo uma pesada máquina intervencionista na economia, e a China que, conservando embora sua ideologia marxista, abriu de par em par as “zonas especiais” à economia de mercado, alcançando altos índices de expansão econômica. Um quarto paradoxo se encontra em nosso próprio país. Continuamos a nos queixar do desemprego industrial, atribuído às tímidas medidas pseudo-liberais do governo, enquanto cresce explosivamente a economia informal. Se esta de fato já cobre 50% do PIB, já nos colocaríamos acima de dois ou três membros atuais dos chamados G-8. Uma última observação: servi dois anos na Polônia anterior a 1989, onde o desemprego era oficialmente considerado inexistente. Entretanto, a descrição popular do que ocorria corresponde exatamente à realidade socialista: os operários fingiam trabalhar, o governo fingia pagar-lhes um salário justo e as usinas fingiam produzir. O desastre que deitou por terra o sistema como um castelo de carta prova que o artificialismo acabou sendo constatado por todos. A prova empírica está aí. No Brasil, infelizmente, os dogmáticos marxistas continuam contaminando a opinião pública e atrapalhando o trabalho dos pragmáticos que dirigem a direção da economia na direção ideal da normalidade: mercado livre e pleno emprego.

Compilado em 28/10/2001
Fonte: Vários sites na Internet

Voltar à página inicial