| O que acontece quando o Dr. Rubem César Fernandes faz força para não pensar
Tempos atrás, expus aos leitores O que acontece quando o Dr. Rubem César Fernandes faz força para pensar. O que acontecia era temível, conforme demonstrei, tanto para a ciência da lógica quanto para a imagem do próprio Dr. Rubem. Agora veremos o que acontece quando, tentando eludir essas conseqüências, o conhecido sociólogo e líder onguístico faz força para não pensar, por mais que alguém o convide a tentá-lo. Os resultados, como o leitor há de constatar nas linhas seguintes, não são nem um pouco melhores. Pensando ou não pensando, o Dr. Rubem parece errar infalivelmente.
O. de C.
Carta de Raimundo Nicioli Queiroz a Olavo de Carvalho
Prezado Professor Olavo de Carvalho:
Li o texto sobre o Quigley, mentor do Clinton, e é isso mesmo, a cruzada anti-armas e anti-bom-senso é mundial.Continuo a dar alfinetadas no Viva Rio e agora após ter mandado um e-mail para o Rubem Fernandes, eis que ele responde laconicamente. Alias, mandei endereçado ao ISER, que curiosamente divide o mesmo endereço com o VR, para o Sr. Rubem e para o Sr Ignacio Cano. Gostaria, a titulo de curiosidade, de lhe mostrar esta troca de correspondência. Fiz questão de assinalar aos citados Srs. que tecia comentários contrários às idéias defendidas por eles e não às suas pessoas, mas em virtude da economia de palavras contida na resposta do Sr. Rubem acho mesmo que o citado cidadão não tem mesmo o que rebater. Agora cooptaram os serviços de uma tal de Elisa Barnes, advogada americana expert no ofício de acionar industrias por danos cometidos com produtos da mesma, leia-se industria de armas. Que dizer, a responsabilidade individual nada vale - o sujeito compra uma arma, a municia, é irresponsável no trato com a mesma, alguém se fere ou morre e a culpa recai no fabricante?!! É realmente a fina arte dos trapaceiros em ação! O que se procura por meio deste artifício é tirar de circulação os fabricantes de armas do Brasil, mas é provável que o tiro saia, como se diz, pela culatra. Como ponto positivo, tive a satisfação de ver uma carta minha, (a primeira) publicada pelo O Globo ainda que mutilada, mas pelo menos já é alguma coisa.
Um abraço do
Raimundo Queiroz
ray@ism.com.br
Carta de Raimundo Queiroz a Rubem César Fernandes e Ignacio Cano (Viva-Rio)
Já mandei e-mails para o Viva Rio mas não tive resposta, a razão me escapa. Sei que esta campanha levada à cabo não é honesta e tampouco originária no Brasil, nem são verdadeiros os motivos alegados . Vocês sabem disso; documentos da ONU, IANSA e WCC não me deixam mentir; tal conluio para solapar liberdades individuais sob o manto de pretensa legitimidade me causa repulsa. O fato de três presidentes dos maiores jornais do Rio de Janeiro integrarem o advisory council do Viva Rio (como se lê na pagina do WCC, Overcome Violence: Learning about Viva Rio) dá a extensão do envolvimento de vocês com a imprensa nesta mega-lavagem cerebral e explica a não-publicação de cartas censurando a postura do Viva Rio, pelo menos das que enviei a O Globo, JB e O Dia. Faço tiro esportivo e vivo em um País teoricamente livre, assim não posso aceitar que burocratas e políticos servindo a interesses externos e escusos venham me impedir de usar as minhas armas de maneira legal, segura e responsável. Tenho dados e pesquisas sérias, alias presentes na Web para qualquer um que não seja cego, apontando para outra conclusão: que a posse de armas por civis honestos não tem relação com a crescente criminalidade, mas sim a posse de armas ilegais em mãos de traficantes de drogas, armas contrabandeadas, por sinal. Alegar que armas fabricadas no Brasil são exportadas e reentram no País via Paraguai só comprova deficiência no controle das fronteiras pela polícia federal - tomar por base essa alegação e tentar empurrar legislação proibindo a venda de armas à civis é fazer cortina de fumaça para enganar leigos. Esquece-se que : 1) o grosso do armamento presente nos redutos do crime organizado não é de fabricação nacional . 2) Embora na maioria das vezes não declarado, o uso eficiente de armas de fogo por civis para repelir crimes contra a pessoa e ou patrimônio existe. 3) Bandidos sempre obterão armas à vontade independente do preço, pois o dinheiro das drogas tudo compra! 4) Há estatísticas, sim, provando a eficiência de armas de fogo na defesa pessoal tanto na rua como em casa ; aquela estatística da OAB de São Paulo, aquela, do 16/15 é falsa, bem como aquela outra do Dr. Arthur Kellermann da Emory University, a famosa 43/1 desaconselhando as pessoas a ter armas em casa (politização na medicina, pesquisa "fake" feita com dinheiro publico, uma graça! ) Evidentemente em um assunto controverso como este é natural que as opiniões variem, entretanto o que me causa espanto é a unanimidade reinante na mídia, fato esse altamente suspeito - não há divergências, debates não são abertos, todos têm tanta certeza... Há uma mão guiando todo o "affaire", condução, manipulação, tudo enfim menos honestidade e decência; disso não há fuga possível, pelo menos dentro dos parâmetros aceitáveis de sanidade mental. Aos que falam no desarmamento como solução, defendendo seus pontos de vista com estatísticas e argumentações, se opõem outros tantos mostrando estatísticas e convicções diversas. Aonde se fazem ouvir estas outras vozes? Em que jornais, redes de televisão e rádio? A prova incontestável da tentativa de manipulação de mentes é a ausência nos meios de comunicação desses pontos de vista divergentes. Por estes motivos não vejo com bons olhos a simbiose entre o Viva Rio e a imprensa ( neste assunto é claro); embora vocês detenham um poder considerável de entrada na mídia, esta ONG, no que diz respeito ao controle de armas e assuntos correlatos, só pode ser levada a sério por ignorantes e desinformados; por quem conhece o outro lado da questão e tem em alta conta as liberdades individuais, jamais!
Sinceramente,
Raimundo Nicioli Queiroz
P.S.1- Anexos vão alguns textos; se realmente tivéssemos uma imprensa livre e imparcial ... Lhe passo telefone,endereço e nome completo porque em resposta a um e- mail meu criticando um editorial do JB há alguns meses atrás, o Sr. Noênio Spínola me acusou de "lobista"e se queixou que me escondera no anonimato. Lhe respondi então que fazia "lobby" somente para minha consciência.
P.S.2- Naquela entrevista feita pelo Sr. Lula Vieira na revista de domingo de uns meses atrás, o entrevistador deixou extravasar o receio que a medida desarmadora tivesse "tinturas fascistas". Pois bem,eu acho que tem na verdade um caráter totalitário indiscutível.Se a lei for aprovada na integra,resultando em impossibilidade do cidadão comum(cidadão?) manter armas em sua propriedade, vocês poderão se orgulhar de ter ajudado a criar um autentico "Police State" no Brasil.
P.S. 3- Gostaria de entrar em contato com o Sr .Luis Eduardo Soares (e- mail) que alias conheço de longa data .Toquei alaúde com a sogra dele Nice Rissone, na "Banda Antiqua" nos anos 70.Depois comecei a fazer tiro ao alvo no Fluminense (de 1982 a 1997) e conheço bem a legislação para armas de fogo no Brasil, que impõe tremendas dificuldades para compra e porte, o que me permite comentar, desculpem-me a expressão, essa xaropada de desarme civil que vocês maliciosamente tentam empurrar goela abaixo da população.
Processo inédito
O empresário carioca Rodolfo Acri entrou nesta quinta-feira com uma queixa-crime contra a empresas de armas Taurus. É que seu filho Rodrigo, de 19 anos, foi sequestrado e morto com um projétil disparado por arma fabricada pela empresa. O pai alega que o revólver e a pistola apreendidos com os sequestradores foram vendidos sem nenhum controle.
Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2000.
Saldo negativo
A advogada americana Elisa Barnes, que ficou famosa por ter entrado com cerca de 30 ações na Justiça dos EUA contra a indústria de armas, na verdade, só ganhou até agora uma única ação - ainda assim em primeira instância. O fabricante já recorreu. Em Cincinatti, Bridgeport e Miami, todas as suas outras ações foram rejeitadas pelos tribunais. A advogada vem a ser consultora do Viva Rio para ações do gênero que eventualmente venham a ser movidas no país.
Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2000.
Resposta de Rubem César Fernandes (22 Fev. 2000)
Razão escapa por que? começa chamando de desonesto...
Rubem
rubem@vivario.org.br
E-mail de Olavo de Carvalho a Rubem César Fernandes
Prezado senhor,
Para recusar-se a responder aos argumentos de Raimundo Nicioli Queiroz, o senhor alegou que ele começava por chamá-lo de desonesto.
Não vejo por que uma discussão qualquer deva começar por colocar um dos debatedores acima da possibilidade de ser ele próprio discutido, principalmente se o assunto em debate são as acusações que ele faz a terceiros – no caso, os fabricantes de armas, a quem o Viva-Rio atribui a culpa por uma boa parte dos males do mundo. Por que o sr. Rubem César Fernandes pode colocar tanta gente sob suspeita e ele próprio deveria estar, a priori, acima de qualquer suspeita?
Em segundo lugar, a acusação de desonestidade que lhe foi dirigida pelo Raimundo Nicioli não se referia à pessoa de Rubem César Fernandes, mas apenas à campanha pelo desarmamento civil.
Ninguém escreve a um ladrão uma carta contra o roubo. Argumentar com alguém é, por definição, tomá-lo como testemunha ou juiz, não como réu. O simples fato de a carta se dirigir ao senhor prova que, no entender do remetente, a moral pessoal do destinatário não estava comprometida pela maldade intrínseca da causa que o envolve.
Raimundo apenas deu-lhe a oportunidade de mostrar que, embora metido numa causa desonesta, o senhor é um homem honesto.
Não me parece que o senhor tenha aproveitado muito bem a chance.
Um homem honesto pode eventualmente apoiar uma causa desonesta, quando não percebeu que é desonesta. O que ele não pode fazer de maneira alguma é fingir que qualquer dúvida lançada sobre a honestidade da causa que defende é um insulto pessoal e, para encerrar a conversa, sair batendo o pèzinho com ares de prima-dona. A afetação de dignidade, o narizinho empinado e a negativa lacônica são trejeitos convencionais a que um cidadão persuadido de lutar por uma causa honesta jamais recorre para fugir a um debate. O estilo, afinal de contas, é o homem. Sua resposta não pegou nada bem.
Parece portanto que, recusando-se a argumentar, o senhor não se sai melhor do que quando argumenta. Como entre calar e falar não consta haver um tertium, uma conclusão um tanto constrangedora se impõe e é meu dever declará-la desde logo: Se porventura o senhor viesse a me consultar na minha condição profissional de técnico em argumentação e debate, eu estaria bastante inclinado a dizer que seu caso é desesperado.
Com meus melhores votos,
Olavo de Carvalho
Retirado do site: www.olavodecarvalho.org
|