Pensadores Brasileiros       

Artigos de José Osvaldo de Meira Penna

Período de 21/1/1998 a 15/10/2001
Total: 83 artigos
 

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Os arrogantes e os inocentes 
J.O. de Meira Penna
Segunda-feira, 29 de outubro de 2001 

Recebi pela Internet a seguinte mensagem que acho interessante divulgar: "O mundo está dividido entre os inocentes, pobres coitadinhos explorados, e os ricos, arrogantes e poderosos capitalistas. Os pobres são pobres, conforme já alegavam Montaigne, Rousseau e Marx, gurus da esquerda festiva, porque os ricos são ricos. Na destruição dos dois prédios maiores do mundo, em Nova York, os americanos e capitalistas exploradores de 40 outras nacionalidades foram, justamente, punidos pela sua arrogância e riqueza. A responsabilidade do episódio, conforme revelada por vários analistas políticos brasileiros, cabe à "extrema direita", que buscava um pretexto para bombardear os coitadinhos dos afegãos. Não se sabe, aliás, se realmente 6 mil morreram em Nova York. Talvez seja mera propaganda, pois nunca se viram imagens de cadáveres. É óbvio, contudo, que uma quantidade de inocentes em Cabul, Jalalabad e Kandahar está sendo injustamente aterrorizada por aviões americanos, um escândalo! A arrogância dos EUA é inacreditável. Nos anos 80 eles forneceram mísseis a guerrilheiros que combatiam o generoso exército soviético, desejoso de espalhar as benesses do marxismo-leninismo. Nunca se viu um exemplo mais flagrante da arrogância americana do que nesse empenho hipócrita de preservar a independência do Afeganistão. 

Bin Laden é o braço exemplar da Justiça divina ao punir os inimigos do Allahu Akbar. Ele é a inocência personificada. Sua barba patriarcal e olhos suaves testemunham os bons sentimentos desse herói que dedicou os US$ 300 milhões, herdados do pai saudita, para defender o que o caribenho-argelino Franz Fanon exaltou como "les damnés de la terre". É verdade que, na Argélia, dezenas de milhares de pessoas foram massacradas na guerra civil entre militares e fundamentalistas, mais vítimas do que na luta pela independência contra a França. Mas a culpa é dos americanos. Dos americanos, ricos e arrogantes, é igualmente a culpa pelos 2 milhões de cambojanos mortos por Pol Pot, 1 milhão de tutsis assassinados em Ruanda pelos hutus, e 300 mil muçulmanos etnicamente limpos na Bósnia. A culpa é sempre dos americanos. Eles são ricos e arrogantes, e sobre isso não se pode discutir... 

Vejam o caso dos japoneses. É verdade que mataram entre 5 milhões de chineses de 1937 a 1945. É certo que afundaram em Pearl Harbor a arrogante esquadra americana. Mas seu intuito generoso era estender sobre toda a Ásia Oriental as benesses dispensadas pelo Filho da Deusa do Sol Amaterasu. A verdade é que os perversos americanos não queriam concorrência. O ataque nuclear covarde de Hiroshima e Nagasaki, que matou 180 mil japoneses, não se justifica à luz do massacre em Nandjing, janeiro 1938, de 300 mil civis chineses. Bem feito, esses chineses eram inimigos do Mao e recebiam a simpatia dos americanos. Não é o cúmulo da arrogância desenvolver a bomba atômica com os recursos científicos e técnicos roubados do Benin, da Ilha de Timor e do Baluchistão? Só gente muito arrogante dispõe de 3 mil engenhos nucleares para se defender! Quem eles pensam que são, donos do mundo? 

O que, na verdade, os ianques desejam é explorar o trabalho alheio, de gente empobrecida pelo mecanismo genialmente descoberto por Marx da mais-valia capitalista. É o cúmulo do desplante! Todos esses mexicanos, cubanos, hondurenhos e mesmo 1 milhão de brasileiros valeram-se do falso privilégio de emigrar para a América sem saber em que se metiam. Por que não foram para Cuba e a Coréia do Norte, lugares mais indicados para refúgio sob a esclarecida e liberal liderança proletária do Fidel e do Kim Nãoseiquantos? 

Vejam como funciona a exploração capitalista dos imperialistas, racistas e promotores da globalização! O que querem mesmo, secretamente, é privar o mundo de automóveis, televisões, remédios, computadores, Windows 2000, telefones celulares, descobertas científicas, dinheiro do FMI e outros feitiços do consumerismo, de maneira a nos corromper definitivamente e nos submeter à sua hegemonia. Grande Satã é essa nação! Viva a Paz, a Justiça Social e o Progresso sob a liderança dos quatro grandes estadistas da modernidade, Lula, Fidel, Chávez e Bin Laden!" 

J.O. de Meira Penna é embaixador, escritor e presidente do Instituto Liberal de Brasília e-mail: meirapen@zaz.com.br

Compilado em 28/10/2001
Fonte: Vários sites na Internet

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