Pensadores Brasileiros       

Artigos de José Osvaldo de Meira Penna

Período de 21/1/1998 a 15/10/2001
Total: 83 artigos
 

Livros de J. O. de Meira Penna na Livraria Cultura

- Ai Que Dor de Cabeça!
- O Dinossauro
- Em Berço Esplêndido
- O Espírito das Revoluções
- A Ideologia do Século XX
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Livros de J. O. de Meira Penna no Submarino

- Ai Que Dor de Cabeça!
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- O Espírito das Revoluções
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Segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001 

Turismo nas Américas 

Há pouco tempo, fizemos um cruzeiro do Rio a Buenos Aires, num dos imensos e luxuosos transatlânticos que estão procurando explorar as riquezas turísticas de que dispõe o litoral brasileiro. Comparadas com as ilhas do Caribe, onde mais de uma dúzia de navios estão sendo reforçados por seis novas unidades de 140 mil toneladas da Royal Caribbean Line, nossa costa, do Nordeste a Santa Catarina, oferece incomparáveis belezas em suas praias de areia branca, paisagens, museus e monumentos históricos – tudo que o turista procura. O intenso tráfego turístico no Caribe se explica, sem dúvida, pelas maiores facilidades e proximidade geográfica dos Estados Unidos. Mas os europeus, principalmente alemães, são também grandes competidores nesse tipo de divertimento. Com a prosperidade inédita proporcionada pela globalização, o turismo se tornou uma das principais indústrias do planeta. Em alguns casos, como o México e a Espanha, é a principal fonte de divisas – a maior “exportação”. Muita gente neste país já se deu conta do volume extraordinário de recursos que poderíamos angariar – uma dezena de bilhões de dólares! – se estivéssemos em condições de proporcionar ao turista estrangeiro o que ele deseja: sol, praia, divertimento, belezas naturais e artísticas. Ora, muito mais gasta o País com os dólares de brasileiros na América e Europa, do que recebe com a visita de turistas, no momento, sobretudo argentinos. Acresce que o intercâmbio com nossos vizinhos grandemente contribuiria para reforçar os amistosos e valiosos laços do Mercosul. Qual o motivo da discrepância? Por que é o turismo, no Brasil, menosprezado, inclusive com a entrega de sua direção a incompetentes? A resposta é fácil. Tive ocasião de me dar conta dos problemas no cruzeiro acima aludido. 

Em primeiro lugar, não oferecemos segurança. O estrangeiro não quer ser assaltado, não deseja correr o risco de assassinato pelo simples fato de que errou uma curva na estrada do Corcovado, ou saiu à noite pela Avenida Paulista. Matar turista, com abundante noticiário na imprensa estrangeira, anula os milhões em propaganda que, por ventura, gaste a Embratur com o reclame da “Cidade Maravilhosa”, das Cataratas do Iguaçu ou das delícias sensuais de Porto Seguro. Seguro, o quê? No exterior, bem divulgados são os altos índices de nossa criminalidade. Os Estados não se dão conta, e muito menos o governo federal, de que pequenos acréscimos nos orçamentos das Secretarias de Segurança e da PF redundariam em consideráveis benefícios na receita indireta, porém substancial, do turismo. 

O mais surpreendente, contudo, em nosso cruzeiro sob bandeira norueguesa, foram as constantes dificuldades que montaram as autoridades alfandegárias, policiais e de imigração, nas diversas escalas do navio (Darwin já o constatou, em 1831, ao desembarcar do “Beagle” no Rio). Os horários se ressentiram, invariavelmente, da boçalidade cretina, como se fosse o turista um pirata cuja entrada nesta belíssima Pindorama pudesse ameaçar o edênico bem-estar de seus mui pacíficos nativos. Até mesmo em Florianópolis, depois de três escalas em portos brasileiros, algum boçal, trepando em suas tamancas, retardou por três horas o desembarque de mil turistas. 

Mas não só no Brasil. É notória a inteligência limitada do Dinossauro burocrático em qualquer país e com raras exceções. Em Buenos Aires, minha Carteira de Identidade do Itamaraty, com fotografia e tudo, não foi aceita e tive de recorrer ao passaporte, muito embora possa qualquer motorista comum atravessar as fronteiras dos respectivos países “amigos”, com sua banal CI policial. Pior ainda, o passaporte, que era diplomático, foi longamente examinado e fotografado como se suspeito de falso, de perigoso traficante. Retribuímos, não aos argentinos, mas aos americanos, exigindo-lhes vistos de entrada, fornecidos lentamente e de má-vontade nos consulados brasileiros – embora saibamos que os gringos que nos procuram trazem dinheiro, enquanto 30% dos tupiniquins que lá desembarcam sejam clandestinos à procura de emprego. Enfim, que se faça turismo! Viva a reciprocidade, a Argentina, os EUA e o Mercosul, para a maior glória da amizade interamericana! 

J.O. de Meira Penna é embaixador, escritor e presidente do Instituto Liberal de Brasília 
e-mail: meirapen@zaz.com.br

Compilado em 28/10/2001
Fonte: Vários sites na Internet

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